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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O que nós dissemos já ninguém cala


Opinião| O que nós dissemos já ninguém cala











O PEV organizou mais uma reunião magna do órgão máximo do partido. Aconteceu no Fórum Lisboa, a XIII.ª Convenção do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Neste grande momento de afirmação do projeto ecologista em Portugal, sublinho três grandes momentos da Convenção: o Balanço da Intervenção do PEV nos últimos três anos, a Apresentação das 5 Prioridades a Prosseguir nos próximos 3 anos, ou seja, a Carta de Princípios e finalmente a Intervenção de Encerramento onde se fez uma leitura da situação atual e apontaram soluções para os graves problemas que atingem o País e os Portugueses.
Do balanço dos últimos três anos destaco no âmbito do nosso princípio de “Agir Local” as preocupações da região de Setúbal, especialmente no que toca a mobilidade das pessoas e as Jornadas Ecologistas, iniciativa de caracter nacional, que visa denunciar os problemas que afetam a qualidade de vida das populações e hipotecam o desenvolvimento do país. Nesta senda, o coletivo regional do PEV de Setúbal, tem tocado em diversas áreas, nomeadamente, saúde, transportes públicos, mobilidade sustentável, requalificação urbana, património natural, cultural e ambiental, educação, cultura, entre outros.
À luz deste património de intervenção que, ancorada numa análise e balanço sério da situação eco-politica nacional, o PEV definiu, também a sua estratégia futura, através dos quais entendemos como determinantes para construir a mudança de políticas, ou seja as 5 prioridades a seguir: Rejeitar uma União Europeia do colonato e afirmar uma Europa plural; Renegociar a dívida e promover o pagamento com base em índices económicos; Criar um sistema fiscal verdadeiramente ecologista, devolvendo-lhe a sua natureza redistributiva; Relevar a política de ambiente para construir uma sociedade mais ecológica e Assegurar a justiça social como condição de igualdade e de felicidade.
Relativamente à situação eco-política, económica e social do País, o que ficou reafirmado, com toda a clareza e convicção, foi a necessidade de interromper com este ciclo de alternância política de injustiça, de empobrecimento e fragilização económica, para que os portugueses possam respirar de novo! O Governo está, apenas, nítida e claramente preocupado em procurar formas de se manter no poder, nem que para isso tenha de voltar a mentir aos portugueses, falseando dados, adulterando estatisticas, propagandeando resultados que ninguém vê, anunciando previsões absolutamente irreais e prometendo no futuro resolver os problemas que criaram e que agravaram. Foram quatro anos a falar de sinais positivos, de milagres económicos, de previsões otimistas, e os resultados estão à vista de toda a gente. O PSD e o CDS que andaram quatro anos a multiplicar a pobreza, dizem-nos agora, em campanha eleitoral que pretendem combater a pobreza, os mesmos que andaram quatro anos a semear desemprego, dizem-nos agora que é preciso combater o desemprego. Os mesmos que passaram quatro anos a delapidar o nosso património coletivo através das privatizações, transformando cidadãos com direitos em clientes obrigados a engordar os lucros dos privados, são os mesmos que hoje se dizem muito preocupados com os cidadãos. Ora, face a tudo isto apetece mesmo dizer, “é preciso ter lata”.
E já que falamos de privatizações de empresas que eram de todos nós e que agora são apenas de meia-duzia, importa recordar alguns elementos que nos permitem perceber a “lata” de outros, no caso do PS, que hoje apregoa aos quatro ventos a sua oposição à privatização dos CTT, mas que tinham a privatização desta importante empresa prevista no seu PEC 4, que hoje mostra uma firme oposição à privatização da TAP, mas que quando esteve no Governo tentou vende-la à Swissair. O mesmo PS que se diz contra a privatização da água, juntou-se ao PSD e ao CDS para chumbar a proposta dos Verdes que pretendia estabelecer o principio da não privatização deste bem fundamental à vida na lei quadro da água.
Continua assim, a distância entre o discurso e a ação que estes partidos nos foram habituando ao longo dos últimos 38 anos. Não existe o mínimo interesse em trabalhar, em realizar um trabalho realmente construtivo em que o POVO venha em primeiro lugar, ou pelo menos que se pense nele. É imprescindível centrar a política no povo e nas necessidades de desenvolvimento sustentável do País.
A par de alguns desvios de verbas públicas injustificadas, de um Presidente da República inativo, de um governo desorientado pelas mentiras e marcado pelo favoritismos, de alguns políticos com assento, também, em empresas são os mesmos que elaboram leis, que favorecem o compadrio, de uma sociedade a estimular a corrupção recorde-se, os casos do Freeport, dos Sobreiros, dos Submarinos, dos Vistos Gold, e tantos outros, o que se tem visto nos últimos anos trata-se basicamente do resultado de 38 anos de politicas de direita que continuam a destruir o país, a empobrecer os portugueses, a permitir que as grandes empresas, como o “Pingo Doce”, coloquem a sua sede fiscal no estrangeiro para não pagarem impostos sobre os rendimentos que sacam no nosso País, a “amparar” os bancos, que quando dão lucro, dividem os lucros entre os acionistas, quando dão prejuizo, o Governo chama o povo para pagar a factura da irresponsabilidade dos banqueiros. 
38 anos responsáveis pelo desemprego, pela fome que atinge cada vez mais familias, pela pobreza que alastra, pela perda de direitos sociais e laborais, pela delapidação do nosso património coletivo e pela fragilização dos serviços públicos. 
  • anos de ineficiência que todos nos lembramos: do PSD de Cavaco Silva; do PS de Gueterres; do PSD-CDS de Durão Barroso; do PS de José Sócrates e, finalmente, do PSD-CDS de Passos Coelho e Paulo Portas que prometiam na campanha eleitoral que não aumentariam impostos e que os subsidios eram intocáveis, todavia, uma das primeiras medidas, depois das eleições, foi aumentar impostos de quem trabalha, cortes nos subsidios de férias, natal, salários e pensões e mais horas de trabalho semanal. Despedimentos no sector público, facilidades nos despedimentos do privado e cortes nos apoios sociais. A par da extinção de freguesias, aumento das taxas moderadoras, das propinas e privatização de importantes empresas como, a título meramente demostrativo, ANA, CTT, ENVC, PT, EDP e das privatizações que estão na agenda, TAP, EMEF, CP, Metropolitano de Lisboa, Carris, Transtejo, Soflusa, STCP, Metro do Porto e as Pousadas de Juventude, entre outras. 
Este universo de cortes, sacrificios e mentiras, que seriam de natureza provisória, só enquanto a Troika cá estivesse, foi mais uma mentira! O que tinha caracter provisório passou a definitivo! A Troika foi embora mas as politicas de austeridade ficaram. Os sacrificios das pessoas contrastam com os volumosos recursos financeiros que continuam a ser canalizados para a banca e por fim, as mentiras, “diziam que não havia dinheiro para repor salários e pensões ou para aliviar a carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho”, porém, nunca faltou dinheiro para a banca. 
Onde está o pleno exercício do dever constitucional de governar para o povo? Onde estão os projetos e leis que beneficiam o país num todo? Ninguém sabe! 
É este o resultado de todas as politicas de austeridade que interessa avaliar: 
  • A austeridade destruiu a nossa produção. Entre 2008 e 2014 o PIB caiu 6,6%;
  • Foram destruidos mais de meio milhão de postos de trabalho;
  • 400 mil portugueses emigraram;
  • Aumentou o número de falências de empresas, sobretudo as Micro, Pequenas e Médias Empresas;
  • Diminuiram serviços públicos;
  • Empobrecimento generalizado das familias, enquanto que 1% da população detém cerca 25%, da nossa riqueza nacional, 5% da população acumula 50% da riqueza;
  • Os 25 mais ricos de Portugal têm um património avaliado em cerca de 14,7 mil milhões de euros, o que corresponde a 8,5% do PIB nacional (173 mil milhões de euros);
  • Os salários da Administração Pública caíram 26% e os do sector privado cairam 13%, simultaneamente, as empresas do PSI-20 distribuiram aos seus acionistas, em 2014, 1,89 mil milhões de euros em dividendos respeitantes aos lucros de 2013, mais 170 milhões do que o montante distribuído no ano anterior. Sendo que algumas dessas empresas pagaram dividendos superiores ao valor dos seus lucros, como o caso da Sonae SGPS, ZON/NOS, EDP e PT. 
É o resultado das politicas dos últimos 7 anos que importa reter, depois de tantos sacrificios, a divida pública, que era de 68,9% em 2008, passou para 130,2% do PIB em 2014. Uma divida insustentável. Tantos sacrificios, tanta austeridade para quê? 
Porém, “Os Verdes” têm soluções e alternativas para o País: 
  • A renegociação da divida, a única forma de criar condições para o seu pagamento. Pagar 9 mil milhões de euros por ano, é insustentável, porque esse montante é fundamental para devolver salários, pensões, mas também, para canalizar recursos para pôr a economia a andar, para pôr o País a produzir. Por isso é essencial renegociar a divida de forma a libertar recursos para a economia, para podermos produzir, criar riqueza e criar condições para pagar a dívida.
  • A recuperação da nossa soberania, tendo em conta que esta perda de soberania levou a que as questões essenciais da vida do País, deixassem de estar na mão dos portugueses, para estarem a ser ditadas por uma europa muito pouco democrática, transformada num instrumento do neoliberalismo ao serviço dos senhores do dinheiro. Uma europa que é cada vez mais dos mercados. É necessário, igualmente, libertarmo-nos do Tratado Orçamental, para recolocar as pessoas e os problemas do País em 1.º lugar e para que possamos definir as nossas prioridades orçamentais, sem os actuais constrangimentos e limitações impostas pelas regras do Tratado Orçamental.
O Futuro está nas nossas mãos e é na CDU que “Os Verdes” pretendem construir a Mudança de que Portugal precisa, para acabar com este ciclo de políticas de direita, e concretizar as transformações necessárias com vista à construção de um futuro mais justo, livre e ambientalmente equilibrado, sempre em harmonia com os valores de Abril. 
Foi tudo isto que discutimos no Congresso dos Verdes, que não teve dietos das televisões, talvez porque discutimos assuntos sérios e não tivemos “Tinos de Rãs”, nem “encenações” habituais nos congressos que merecem das televisões diretos constantes e a toda a hora. 
Mas mesmo sem televisões, rádios e jornais, O QUE NÓS DISSEMOS JÁ NINGUÉM CALA. 
Artigo de opinião de Jorge Taylor – Dirigente Nacional de “Os Verdes” (Moita), publicado no Distrito Online

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Desenvolvimento, austeridade e euro

Opinião|Desenvolvimento, austeridade e euro

Realizou-se nos passados dias 29 e 30 de maio, a 13ª Convenção do PEV.
Na anterior Convenção, realizada há 3 anos, foi aprovada uma Moção, apresentada por mim, sobre “Desenvolvimento, Austeridade e Desemprego”, que, dando conta do caminho de descalabro económico e social do país, que já então se percorria.
Dizia, então, que era, cito:
“necessária e urgente a inversão desta política.
O caminho tem de ser outro. As alternativas existem.”
 E exigia-se, por isso, 
  1. “que o Governo tomasse medidas urgentes no sentido de renegociar a dívida externa, tendo em vista alargar prazos de pagamento e reduzir as taxas de juros aplicadas, possibilitando a recuperação da economia, enquanto única forma de conseguir cumprir o pagamento da dívida; 
  1. Exigia-se que o Governo implementasse, de imediato, medidas de apoio à economia, nomeadamente: 
- Desistir da política de destruição dos serviços públicos, valorizando e dignificando a prestação e os prestadores desses serviços essenciais ao desenvolvimento e à qualidade de vida dos portugueses;
- Pôr termo aos processos de privatizações;
- Revogar as medidas de subtração de rendimentos a trabalhadores e pensionistas e de redução da concessão de subsídios sociais;
- Criar incentivos às médias, pequenas e micro empresas;
- Corrigir a sua política fiscal e laboral, promovendo políticas de justiça social e de defesa do emprego com direitos;
- Intervir no sector bancário, nomeadamente através da CGD, possibilitando o acesso ao financiamento a empresas e particulares.
Ao longo dos 3 anos, entretanto passados, o PEV, onde quer que esteve representado, defendeu intransigentemente esta alteração de políticas.
Mas o governo continuou o seu caminho e os resultados estão aí. Apesar daquilo que os arautos da austeridade nos andam, ultimamente, a dizer e bem nos podem acenar com indicadores disto e daquilo, que a verdade é esta: o país está pior.
Um país cada vez mais injusto, onde direitos fundamentais, consagrados na Constituição da República, como os direitos ao trabalho, à proteção no desemprego, na velhice, na doença, ou o direito à educação, são diariamente desrespeitados, com a bênção do Presidente da República.
Tudo isto em nome de uma política de austeridade, em grande parte imposta e comandada a partir do exterior, mas com comissários internos bem instruídos, a quem podemos chamar muita coisa, menos incompetentes. Eles sabem o que fazem. E por isso são recompensados.
São por demais conhecidos os casos em que favores a grandes grupos económicos são recompensados, depois, com cargos nas respetivas Administrações. Mas o que está mesmo agora a dar, é a imediata colocação na Comissão Europeia, no FMI, ou no BCE.
A rutura com estas políticas é urgente. Não se pode admitir que à frente dos destinos de país se continue a encontrar forças políticas que nos vêm dizer que não temos alternativa, que estamos condenados a definhar e que o futuro é austeridade em cima de austeridade, mesmo que, como é proposto agora pelo PS, essa austeridade nos seja dada em doses mais anestesiantes.
As alternativas existem. Temos de ter a coragem de eliminar os fatores que impedem o nosso desenvolvimento. Desde logo, a dívida pública.
Tal como dizia há 3 anos, continua a ser imperioso restruturar a dívida “alargando prazos de pagamento e reduzindo as taxas de juros aplicadas, possibilitando a recuperação da economia”, porque devemos pagar apenas aquilo que podemos pagar e de acordo com a nossa capacidade para pagar.
Sem a restruturação da dívida, continuaremos a caminhar para o empobrecimento generalizado, para a destruição do Estado Social e a pôr, cada vez mais, em causa a democracia política e a soberania nacional.
Mas, não tenhamos ilusões, a dívida pública não é a mãe de todos os nossos males. Todas as estatísticas apontam para que a nossa crise, embora agravada pela crise mundial que persiste desde 2007/2008, tenha o seu início em 1999, quando fomos empurrados, e nos deixámos empurrar, para o pelotão da frente do EURO e, com isso, perdemos a capacidade de determinar a nossa política monetária.
Entendo, por isso, necessário que a nossa continuidade no EURO seja um assunto a aprofundar. De uma forma responsável. Com o apoio de estudos e contactos dentro do Eurogrupo.
Pela minha parte, embora reconheça quanto é prática a utilização de uma moeda única por toda a Europa, sem as dificuldades provocadas pelas taxas de câmbio, cada vez estou mais convencido de que, apesar dos custos dessa opção, eles serão bem menores do que os que decorrerão, para todos nós e para as gerações futuras, se continuarmos condenados à austeridade perpétua.
Artigo de opinião de Afonso Luz, Dirigente nacional de “Os Verdes” e eleito na Assembleia Municipal de Setúbal, publicado no Distrito Online

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Reunião do Colectivo de Setúbal do PEV

No passado dia 8 de maio, teve lugar na Biblioteca Municipal de Setúbal, a reunião do colectivo regional de Setúbal do PEV.
Este encontro teve como objectivo principal a preparação da 13ª Convenção do Partido Ecologista «Os Verdes», nos próximos dias 29 e 30 de maio, em Lisboa.
Neste encontro foi também feita uma análise da situação política nacional e regional.




quarta-feira, 6 de maio de 2015

8 de Maio - Setúbal - Reúne o Coletivo Regional do PEV

Na próxima sexta-feira, dia 8 de Maio, pelas 21 horas, "Os Verdes" vão realizar uma reunião do Coletivo Regional de Setúbal, onde se pretende analisar a situação Eco política no distrito de Setúbal, fazer um balanço sobre as iniciativas que “Os Verdes” têm levado a cabo nos diversos concelhos e debater os principais problemas que os afetam.
  
Este encontro tem também como objetivo preparar a 13ª Convenção do Partido Ecologista “Os Verdes”, a realizar nos dias 29 e 30 de Maio, em Lisboa. 
  
A reunião terá lugar na Biblioteca Pública Municipal de Setúbal, sita na Avenida Luísa Todi, n.º 188, Setúbal.

Pl’O Coletivo Regional de Setúbal de "Os Verdes"
O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
www.osverdes.pt
Lisboa, 6 de Maio de 2013

terça-feira, 8 de maio de 2012

XII Convenção do PEV - 18 e 19 de Maio de 2012, ISEG (Lisboa) - Da indignação à acção


"Os Verdes" - uma força de esperança, de mudança


Realiza-se, nos dias 18 e 19 de Maio, a XII Convenção do Partido Ecologista “Os Verdes”, órgão máximo do PEV, sob o lema “Da indignação à Acção - "Os Verdes" uma força de esperança, de mudança”, um momento importante de afirmação do projeto ecologista em Portugal. Vai realizar-se no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa.

Os trabalhos começam no dia 18 de Maio, com a sessão de abertura marcada para as 22.00 horas, onde será feito o balanço da intervenção política do PEV, com uma intervenção da dirigente nacional Manuela Cunha.

No sábado, dia 19 de Maio, “Os Verdes” destacam os debates que decorrerão em torno das Moções Sectoriais (durante a manhã) e da Moção de Acção Política (período da tarde), com intervenção do Deputado José Luís Ferreira. Destaca-se ainda a sessão de encerramento, prevista para as 18.00 horas, na qual será proferida a intervenção final pela Deputada Heloísa Apolónia.

O Partido Ecologista “Os Verdes” destaca também a apresentação de um CD musical - “Canto Verde” - da autoria de Samuel e Nuno Santos. As duas músicas do CD serão divulgadas, em estreia nacional, durante a Convenção, também no período de encerramento.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Conclusões do Conselho Nacional do PEV reunido em Guimarães


O Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”, reunido em Guimarães, analisou a situação eco-política nacional e internacional. Da análise do Conselho Nacional destacamos os seguintes pontos:

1. Tratado Orçamental

O PS, PSD e CDS/PP
, por imposição dos Senhores da Europa, aprovaram ontem o Tratado Orçamental, ao mesmo tempo que rejeitaram a proposta do Partido Ecologista "Os Verdes" no sentido de proceder a um referendo sobre mais este passo do projeto europeu.
“Os Verdes” recordam que a inscrição dos limites de défice orçamental implica que, em caso de incumprimento por parte dos estados, haverá lugar à imposição de medidas vinculativas determinadas pela Comissão Europeia, e que podem passar por alterações às leis laborais, aos salários, às reformas e pensões, aos serviços públicos, à segurança social, e até à aplicação de sanções financeiras. Ou seja, os países que estão em dificuldade, em vez de serem ajudados pela UE, ainda vão sofrer sanções financeiras, o que vai agravar ainda mais a situação desses países.
Acresce ainda que esta transferência de soberania, vai condicionar o nosso Parlamento na definição das políticas sociais, económicas e orçamentais, e arredar assim os Portugueses das decisões que mais importância assumem nas suas vidas.
Trata-se de uma facada, sem precedentes, na nossa democracia, porque as matérias orçamentais, constituem a questão chave de qualquer povo em termos de soberania.
Mas vai trazer também mais austeridade, isto quando é mais que sabido que a austeridade não é solução, como se está a ver hoje.
Neste contexto, “Os Verdes” consideram que o que está em causa com este Tratado é sério de mais para não ouvir os Portugueses, que aliás, nunca foram chamados a pronunciarem-se sobre matérias europeias e por isso condenam a decisão do PS, PSD e CDS/PP, de não permitirem que os Portugueses se pronunciassem sobre matéria tão importante.

2. Políticas Sociais

A política do Governo em matéria de Saúde resume-se a cortes cegos, no encerramento de serviços de saúde por todo o País e na pretensão assumida de transferir os custos para os utentes
, que já são dos que mais pagam com a Saúde na União Europeia.
O resultado destes cortes cegos começa a ser visível: alastram as situações de carência nos estabelecimentos de saúde públicos, sobretudo nos hospitais, falham os materiais essenciais, degradam-se os equipamentos, faltam recursos humanos, limita-se a disponibilização de medicamentos, falta material descartável para as cirurgias, doentes que podiam ter melhor qualidade de vida, mas não a têm por falta de acesso a terapêuticas inovadoras, devido aos cortes e constrangimentos financeiros e disparam as listas de espera para fazer exames.
Por outro lado, “Os Verdes” não compreendem como é que o Governo melhora o acesso dos Portugueses aos cuidados de saúde, através do encerramento de serviços de saúde que têm ocorrido por todo o País e de que é exemplo o anúncio do encerramento da Maternidade Alfredo da Costa.
Numa altura em que os Portugueses ganham menos, ficam sem o subsídio de férias e 13º mês, e ainda pagam mais impostos, quando precisam dos Serviços Públicos, que o Estado deveria assegurar de forma gratuita, não podem contar com o Estado e por isso, o PEV solidariza-se com as organizações que hoje promovem por todo o País o dia de luta em defesa do Serviço Nacional de Saúde e do direito dos Portugueses ao acesso aos cuidados de Saúde.
Relativamente à Educação, “Os Verdes” condenam a atitude do Governo que continua a desrespeitar os Pareceres do Conselho Nacional de Educação e do Conselho de Escolas, prosseguindo na sua intenção de implementar uma reforma da estrutura curricular do 2º e 3º Ciclos e Secundário, completamente à revelia desses Pareceres. O mesmo se diga, relativamente à saga do Governo na destruição do ensino público, avançando com propostas de junção de agrupamento, no mais completo arrepio da legalidade, contornando sistematicamente os Conselhos Gerais de Agrupamento e os Professores e seus representantes.

3. Alterações à Legislação Laboral

As recentes alterações à legislação laboral, constituem um grande jeito às entidades patronais, que nada tem a ver com a crise, nada tem a ver com os objectivos da competitividade, do crescimento e do emprego.
Com estas alterações laborais, o Governo apenas visa estimular os despedimentos, tornar o trabalho mais barato, colocar as pessoas a trabalhar mais e a ganhar menos e, sobretudo, enfraquecer a posição do trabalhador na relação laboral. Numa altura em que o desemprego atinge números nunca vistos, o Governo facilita os despedimentos, uma vez que o conceito de justa causa passa a ser definido pela entidade patronal; elimina feriados, reduz os dias de férias, diminui o pagamento do trabalho extraordinário, facilita o lay-off; alarga a aplicação do banco de horas; fragiliza a contratação colectiva e atribui maiores poderes às entidades patronais.
Perante todas estas ofensivas e ataques aos direitos dos Portugueses, com graves prejuízos a nivel das suas condições de vida, o Partido Ecologista “Os Verdes” saúda e envolver-se-á nas acções do 25 de Abril e do 1º de Maio, combatendo as políticas de desrespeito e da violação dos direitos consagrados na nossa Constituição, em defesa da justiça social e de melhor qualidade de vida para os Portugueses.

4. Política de Ambiente

O Governo não tem política para o ambiente, por isso reduziu substancialmente o investimento, para o ano de 2012, em todos os sectores desta tutela. Tudo o que o Governo propõe, na área ambiental, é para prejudicar os portugueses e para beneficiar um poderoso poder económico, que não olha a regras para usurpar o que for preciso, de que é exemplo a intenção do Governo em privatizar a gestão do sector da água, pondo em mãos privadas um bem que é de todos, que é essencial à vida e que não pode estar condicionado aos interesses e lógicas privadas. Para além do mais, a água ameaça ser um dos maiores factores de conflito entre Estados, e torna-se insuportável a forma como o Governo entende abrir mão do controlo deste sector.
“Os Verdes” repudiam completamente a intenção do Governo de privatizar o sector da água em Portugal, fazendo desta luta um centro da sua intervenção e aderindo às mais diversas iniciativas que tenham como objectivo a defesa da gestão pública da água.
O PEV lamenta, ainda, a demora do Governo em dar resposta ao problema da seca, um fenómeno profundamente ligado às alterações climáticas, agravado pela desertificação e despovoamento do interior do país, e que tende a ser cada vez mais frequente, matéria que o Governo continua a ignorar, apesar da gravidade das consequências das alterações climáticas.

5. Questões Regionais

Nas questões regionais, “Os Verdes” destacam que a classificação pela UNESCO do Centro Histórico de Guimarães como Património Mundial da Humanidade em 2001, a par da designação da Cidade de Guimarães como Capital Europeia da Cultura em 2012, são o reconhecimento do seu valor patrimonial e das potencialidades que este constitui para um desenvolvimento onde a cultura pode desempenhar um papel catalizador. Projectar e consolidar para além de 2012 esta dinâmica e este potencial passa obrigatóriamente, no entender de “Os Verdes”, por criar uma maior e melhor ligação da cidade de Guimarães com a Região, com o resto do País e com a Europa, nomeadamente com a vizinha Espanha. Para tal, o Partido Ecologista “Os Verdes” considera fundamental investir e desenvolver as acessibilidades e o serviço ferroviário:
Melhorar a ligação ferroviária de Guimarães e de Braga com a Espanha por via da Linha do Minho e da Linha do Douro. “Os Verdes” defendem a criação de uma Rota Ferroviária dos Patrimónios da Humanidade (Guimarães, Centro Histórico do Porto, Alto Douro Vinhateiro, Foz Coa e Salamanca); proceder à electrificação da Linha do Minho e melhorar a ligação à Linha do Norte.

6. XII Congresso do Partido Ecologista “OS Verdes”

Sob o lema, “Da indignação à ação. Os Verdes, uma força de esperança, uma força de mudança”, o PEV vai realizar em Lisboa, nos dias 18 e 19 de Maio a sua XII Convenção, procurando respostas ecologistas para a grave situação do País.

Conselho Nacional do Partido Ecologista "Os Verdes”,
Guimarães, 14 de Abril de 2012