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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Eólica Flutuante da EDP já está no alto mar


O momento em que o Winfloat foi rebocado da doca da Lisnave, em Setúbal, para o alto mar, na Aguçadoura - Póvoa de Varzim. Este é um projecto único no mundo totalmente feito em Portugal.

Acaba de sair da doca seca do Porto de Setúbal a primeira eólica flutuante de grandes dimensões em direcção ao alto mar, na zona da Aguçadoura, Póvoa de Varzim.

Trata-se de um projecto inovador que juntou a EDP Renováveis, a metalomecânica A. Silva Matos, e a empresa canadiana Principle Power. O projecto Windfloat, que agora entrou na sua fase de testes, poderá ser o início de uma nova fase da indústria das eólicas offshore (em mar aberto) para o mercado global.

Porque é que este projecto é importante e pode ser crucial assim que passar à fase comercial? Por uma razão muito simples: a Europa está confrontada com o desafio 20 20 20, para o qual já só dispõe de nove anos para cumprir. Ou seja, cada país da União Europeia terá de registar reduções de 20% nas suas emissões de dióxido de carbono (CO2), ter pelo menos 20% de incorporação de renováveis no respectivo sistema de produção de electricidade e, não menos importante, fazer com que tudo isto se consiga até 2020. Quem não cumprir estas metas, será sujeito a pesadas penalizações.

Ora, acontece que o relógio não pára e 2020 é já ali à frente. Mas, para além da pressão dos ponteiros do relógio há um outro tipo de pressão que começa a jogar em favor do projecto Windfloat da EDP Renováveis. Na verdade, começa a haver uma grande pressão construtiva de torres eólicas por todo o território continental dos vários países.

Por exemplo, em Portugal, para se prosseguir com o plano de investimentos para as eólicas, a determinada altura teriam que se invadir terrenos dos parques naturais e áreas de reserva ecológica. O que não irá acontecer. A solução só pode ser uma. Construir eólicas no mar, longe da vista para quem está junto à costa, para não gerar impacto visual de maior monta.

E o que se irá passar em Portugal será replicado em vários países com frente de mar. Em alguns países do Norte da Europa, o problema tem sido relativamente bem ultrapassado. É que, em países como a Dinamarca, Holanda e algumas regiões costeiras do Reino Unido, as águas são pouco profundas (entre os 10 e os 25 metros) o que tem permitido a instalação de torres eólicas directamente alicerçadas no fundo do mar.

Isso não será possível em Portugal, assim como em Espanha e Itália ou França, só para citar alguns exemplos. Tudo porque estamos a falar de países em que a profundidade da água do mar junto à costa é rapidamente superior a 50 e a 10 metros. Ou seja, para colocar eólicas aqui só se forem flutuantes.

Até agora ainda ninguém tinha dado um passo neste sentido (exceptuando uma experiência na Noruega, mas com características diferentes). E Portugal é assim pioneiro com o projecto Winfloat. Se resultar, poderá ser replicado em vários países europeus e, por arrastamento, em todos cujas águas costeiras sejam profundas e não permitam a instalação de eólicas directamente no fundo do mar.

Aliás, um dos parceiros do projecto Windfloat vem do Canadá e, também por esta via, podemos estar perante uma grande porta de entrada nos mercados mundiais do sector.

Alguns analistas não hesitam em afirmar que podemos estar à beira de dar um empurrão histórico à indústria naval portuguesa. A tão apregoada economia do mar pode arrancar em força à boleia do Windfloat.

Fonte:http://aeiou.expresso.pt/eolica-flutuante-da-edp-ja-esta-no-mar=f690624#ixzz1f6jkXS4r

segunda-feira, 25 de julho de 2011

“OS VERDES” SOLIDÁRIOS COM TRABALHADORES DOS ESTALEIROS NAVAIS DO MONDEGO

O Partido Ecologista “Os Verdes” participou na reunião Plenária dos Trabalhadores dos Estaleiros Navais do Mondego.

Neste momento difícil de 70 anos de história dos Estaleiros Navais do Mondego, em que se encontram em processo de insolvência, “Os Verdes” apresentam a sua solidariedade para com os trabalhadores e suas famílias, trabalhadores que estão a atravessar grandes dificuldades, vivendo na incerteza do futuro desta unidade de produção.

A indústria de reparação e construção naval tem vindo a decrescer, não só na Figueira da Foz como também a nível nacional, fruto de políticas erradas dos sucessivos governos que não encararam o mar e o nosso tecido produtivo como um sector estratégico para a sustentabilidade económica do país.

Para “Os Verdes”, o crescente mediatismo aquando das campanhas eleitorais de elementos do actual governo e do Sr. Presidente da República, em torno da produção nacional e da aposta no mar, não pode traduzir-se apenas em palavras ocas, mas sim em acções concretas que defendam a produção nacional e, consequentemente, os trabalhadores.

A recente mudança de nome de Ministério da Agricultura e das Pescas para Agricultura e Mar não pode ser apenas uma acção de charme, mas incidir em políticas claras, que fomentem as actividades económicas relacionadas com o mar, nomeadamente o sector das pescas e a indústria naval.

Caso se verifique o encerramento deste estaleiro e a deslocalização da produção para Huelva, esta poderá ser a machadada final na nossa indústria pesqueira, perdendo-se também mão-de-obra especializada e qualificada. Segundo os trabalhadores, o Estaleiro do Mondego tem todas as condições para estar em funcionamento.

“Os Verdes” consideram que deve haver uma rápida intervenção do Governo na defesa dos Estaleiros Navais do Mondego para que se possa revitalizar a indústria naval, contribuindo para a defesa das nossas pescas e das dezenas de trabalhadores especializados e qualificados deste estaleiro.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

José Luís Ferreira sobre a Renegociação da Dívida

“OS VERDES” QUESTIONAM GOVERNO SOBRE REESTRUTURAÇÃO DOS ESTALEIROS DE VIANA DO CASTELO

Após a audiência realizada com a Comissão de Trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana, a Deputada Heloísa Apolónia, do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou hoje na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através do Ministério da Defesa Nacional, sobre o Plano de Reestruturação dos Estaleiros de Viana do Castelo.

Para “Os Verdes”, é urgente uma resposta tão breve quanto possível, dada a situação de ameaça de despedimento em que se encontram os trabalhadores destes Estaleiros.

Os trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo têm alertado, há mais de 20 anos, para a necessidade de reestruturação da empresa, sustentada no saber consolidado da sua mão-deobra e na potencialidade de aumentar a carteira de encomendas que se tem revelado robusta, mas com potencial para crescer mais.

Em simultâneo, os trabalhadores têm assistido a alguns episódios de duvidosa gestão correcta para a empresa, que têm gerado um passivo evitável, o que leva à questão legítima de saber quais são as verdadeiras intenções das diversas administrações que por ali têm passado ao longo dos anos.

Em 20 de Junho do ano corrente, os trabalhadores dos estaleiros foram confrontados com um plano de reestruturação da empresa (que custou largos milhares de euros à empresa), apresentado pela actual administração, que, sem ter envolvido os trabalhadores, determina o despedimento de 380 das 720 que ali trabalhavam à data.

A justificação para este despedimento é sempre da mesma ordem: despede-se cerca de metade, para manter a outra metade de trabalhadores, sendo preferível manter alguns postos de trabalho do que perder todos. Mas este argumento é profundamente falso e enganador, desde logo porque a própria empresa assume que despedindo esse número de trabalhadores terá de subcontratar com mão de obra mais desqualificada, pelo menos 200 outros trabalhadores, para a realização do trabalho mínimo que se encontra nas suas previsões!

E a falsidade deste argumento tem-se também revelado em inúmeras outras situações, onde se vai despedindo às metades por etapas, até chegar a uma situação onde a precariedade grassa por toda a empresa, numa lógica de exploração de mão-de-obra inadmissível em pleno século XXI.

Os estaleiros de Viana do Castelo têm uma potencialidade de crescimento muito elevada. Na última década conseguiram um volume de negócios correspondente a cerca de 1.389.000.000 euros, um volume de exportações na ordem dos 1.085.000.000 euros, construindo uma média de 8 navios por ano e reparando uma média de 52 navios anualmente. Só em 2011 já foram realizadas reparações de 30 navios. Esta empresa de indústria naval tem, neste momento, uma carteira de trabalho correspondente a 500 Milhões de euros para os próximos 4 anos.

Por tudo o que ficou referido, a proposta de despedimento dos trabalhadores torna-se absolutamente inaceitável. De resto, a forma como estas estratégias são concretizadas, são sempre bem demonstrativas da falta de razão e da falta de sustentação das propostas, na medida em que são sempre feitas pela calada e depois procura-se a sua apresentação como facto consumado. Assim foi aqui também, sem que os trabalhadores fossem minimamente envolvidos ou chamados a fazer as suas considerações sobre o plano de reestruturação!

Os estaleiros de Viana do Castelo são um coração de emprego da região. Se aquela empresa definha, é um problema social e económico de graves repercussões. Mas o problema não se restringe ao distrito de Viana. A questão é nacional, porque os estaleiros de Viana do Castelo são uma componente estrutural da indústria naval em Portugal. Trata-se, então, de saber se se quer a sobrevivência desta indústria num país com um mar imenso ou se a queremos perder e depender mais e mais do exterior, até a este nível!

E o certo é que o Governo tem, face à dimensão do problema, tardado em dar resposta. O facto é que existe um plano de reestruturação, apresentado aos trabalhadores, que está em execução parcial, enquanto o Governo diz que está a pensar nele e a avaliá-lo. Ora, o que deveria ter acontecido era exactamente o contrário: o Governo suspendia o plano, para não ser aplicado, e debruçava-se, então, sobre ele.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exa. A Presidente da Assembleia da República que remeta ao Ministério da Defesa Nacional a presente Pergunta, de modo a que me possa ser prestada a seguinte informação:

1. Tem o Governo conhecimento do que está a ser concretizado do plano de reestruturação dos estaleiros de Viana do Castelo?

2. Por que razão não suspendeu o Governo a aplicação do plano de reestruturação, enquanto promove a sua avaliação?

3. O que tem o Governo a dizer sobre a intenção da empresa de despedimento de 380 trabalhadores, com a garantia de que precisa de, pelo menos, 560 trabalhadores para concretização de 2 navios anuais, sendo certo que a carteira de encomendas pode chegar facilmente acima dessa média e, por isso, é expectável que precise de mais do que esses trabalhadores?

4. Qual a avaliação que o Governo faz da carteira de encomendas dos estaleiros de Viana do Castelo e da viabilidade desta empresa?

5. Garante o Governo que a perspectiva não é a da privatização destes estaleiros?