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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

“OS VERDES” QUEREM SUSPENSÃO DO PLANO ESTRATÉGICO DE TRANSPORTES E A SUA COLOCAÇÃO A DISCUSSÃO PÚBLICA


Uma política de transportes com sustentabilidade ambiental, justiça social, equilíbrio territorial e em sintonia com as actividades e as potencialidades produtivas nacionais é condição fundamental de desenvolvimento de um país.

Porém, uma boa política de transportes, pode e deve ir mais além. Deve ser garante de igualdade de oportunidades como instrumento de acesso a bens e serviços públicos fundamentais, alicerces da nossa Democracia e do nosso Estado Social. Uma boa política de transportes assume que o transporte público de passageiros é condição essencial de acesso ao direito à mobilidade, e, por via deste, ao direito ao acesso à educação, aos cuidados de saúde, à informação, à cultura e ao lazer, bem como ao mais variados serviços públicos e satisfação de necessidades colectivas e individuais. Uma boa política de transportes deve ambicionar e procurar lograr a transferência de modos de transporte mais poluentes, com mais impactos negativos no ambiente, mais dependentes de combustíveis fósseis e consequentemente de importações, para modos de transporte mais sustentáveis ao serviço do ambiente, das pessoas, da economia e do equilíbrio na ocupação territorial.

Mas, além disso, uma boa política de transportes é uma política que é partilhada e comungada pela comunidade, que é compreendida e aceite pelos seus agentes e pelos seus destinatários.

O Governo elaborou e aprovou, em gabinete e sem discussão pública, o denominado “Plano Estratégico de Transportes – Mobilidade Sustentável – Horizonte 2011-2015” (PET). Nem empresas, agentes e parceiros do sector, nem comissões de utentes, nem sindicatos e outras estruturas representantes dos trabalhadores, nem associações foram ouvidos, em suma a sociedade em geral não foi chamada a participar na elaboração de um Plano com esta importância estratégica.

O PET constitui um Plano Sectorial, à luz do quadro jurídico dos instrumentos de desenvolvimento e gestão territorial (designadamente Lei nº48/98 de 11-08 – Bases da Política de Ordenamento do Território e Urbanismo – e DL nº380/99 de 22-09 – Regime dos Instrumentos de Gestão Territorial), para a área dos transportes, com evidentes incidências aos níveis territorial, ambiental, económico e social.

Ao nível territorial a incidência é óbvia, desde logo pelos inevitáveis impactos advenientes da implantação de infra-estruturas, lançamento de redes e de vias, mas, mais ainda pelas óbvias implicações que a existência, e mesmo o mero planeamento ou anúncio, de algumas dessas infra-estruturas têm na fixação de população, na atracção de investimento, no estímulo à actividade económica e na viabilidade de projectos de desenvolvimento nas regiões abrangidas, ou não, suficiente ou insuficientemente, por redes e sistemas de transportes públicos à altura das necessidades das populações e das actividades de cada região.

Ao nível ambiental, não só pela ligação umbilical existente entre ambiente e ordenamento do território aos mais diferentes níveis, a definição das redes de transportes constitui um poderosíssimo instrumento de modelação e de desenho do território e das actividades nele desenvolvidas, bem como dos tipos de ocupação do solo, mas ainda pelo peso extraordinário que o sector dos transportes desempenha ao nível das emissões de gases com efeito estufa e das alterações climáticas, bem como da dependência energética do estrangeiro, assente esmagadoramente em importação de energia fóssil e principalmente em petróleo cuja maioria é consumido em automóveis particulares.

Assim sendo, normal seria que este Plano, antes da sua aprovação em sede de Conselho de Ministros através de Resolução (entretanto já publicada – Resolução do Conselho de Ministros nº 45/2011 de 10-11), tivesse sido sujeito, nos termos do que o ordenamento jurídico nacional possibilita e prevê e à luz das melhores práticas políticas respeitadoras dos princípios fundamentais do direito administrativo e do ambiente da transparência e participação pública, que o Plano em causa tivesse sido sujeito a prévia Avaliação Ambiental Estratégica, com as devidas consultas designadamente a entidades e público interessados, a instituições e especialistas de reconhecido mérito, sendo finalmente submetido a consulta pública.

Tal procedimento permitiria, para além de colocar a proposta a escrutínio público, durante um período razoável, possibilitar um amplo e certamente riquíssimo debate nacional, portando contributos porventura valiosíssimos, e provavelmente fundamentais para permitir ao Executivo aprovar, afinal, um Plano mais consciencioso, útil para o interesse nacional, porque consentâneo com as necessidades de desenvolvimento do país.

É conhecida a crítica e oposição que o Partido Ecologista “Os Verdes” manifestou ao Plano em causa. Não retiramos uma palavra ao que dissemos. Este plano constitui uma estratégia de encerramentos, de privatizações, de despedimentos, de destruição de um dos pilares do nosso Estado Social, em suma um verdadeiro retrocesso civilizacional.

Porém, do que se trata com a presente iniciativa parlamentar, é antes de mais, a lisura da tomada de decisão que, em Democracia, não deve ser prepotente, nem apressada, não deve demonstrar medo ou insegurança, nem fugir à crítica sã e ao debate plural, frontal e esclarecido pela participação dos diferentes protagonistas do sector dos transportes.

O procedimento de decisão administrativa, mormente de um Plano Sectorial a médio ou longo prazo, com tantas e tão profundas implicações no futuro do nosso desenvolvimento, deve permitir aos portugueses o direito de se pronunciarem livremente em Consulta Pública e que essa pronúncia possa ter consequências no conteúdo da decisão final.

Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária. Delibera, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis recomendar ao Governo:

1 – A elaboração de um Relatório Ambiental identificando os efeitos significativos no ambiente resultantes da aplicação do “Plano Estratégico de Transportes – Mobilidade Sustentável – Horizonte 2011-2015” no território nacional, na economia e na sociedade portuguesas, bem como as suas alternativas razoáveis.

2 – A realização de consultas e a colocação em Discussão Pública do PET e respectivo Relatório Ambiental, por período não inferior a 60 dias.

3 – A determinação da suspensão de efeitos da Resolução do Conselho de Ministros nº 45/2011 de 10 de Novembro, até à conclusão do processo acima descrito.

4 – A alteração do PET em função dos resultados obtidos nos procedimentos acima recomendados.



Palácio de S. Bento, 17 de Novembro de 2011.

Os Deputados
Heloísa Apolónia
José Luís Ferreira

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

RENDAS NO BAIRRO COR DE ROSA EM ALMADA



No seguimento de uma audiência, o Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, sobre a actualização das rendas no Bairro Cor de Rosa, em Almada, que está a agravar a situação das famílias moradoras, levando-as, nalguns casos, à ruptura financeira.

O Grupo Parlamentar do Partido Ecologista “Os Verdes” reuniu recentemente com a Comissão de Moradores do Bairro Cor de Rosa, de Almada, que nos transmitiu algumas das preocupações dos moradores.

Em Outubro de 2010 o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) decidiu, invocando a legislação do regime da renda apoiada, proceder à actualização das rendas dos moradores do Bairro Cor de Rosa. Reconhecendo que não foram actualizadas as rendas durante alguns anos, por inoperância dos organismos tutelares, não nos podemos alhear do facto deste Bairro ser habitado por uma maioria de pessoas idosas e que, com o agravamento das condições socioeconómicas, como o aumento do preço dos transportes, congelamento das pensões, corte nos apoios sociais, aumento de despesas com a saúde, entre outros, estas famílias viram a sua vida em muito agravada.

A actualização das rendas, comunicada aos moradores em Dezembro de 2010, com a sua aplicação a partir de Março de 2011, não foi uma actualização, mas sim, aumentos incomportáveis que chegam, nalguns casos, a 400%, o que irá levar algumas famílias a uma ruptura financeira. Mas como gostamos de falar de realidades podemos dar o exemplo de um pensionista que tem rendimentos de 600€ por mês e que em 2015 irá passar a pagar 300€, ou seja, 50% do seu rendimento.

Segundo o relato de alguns moradores, o IHRU procedeu à pintura exterior dos edifícios e, na visita ao bairro efectuada pelo Presidente do IHRU, foi prometido, pelo mesmo, alguns arranjos, como os elevadores, problemas eléctricos nas escadas e algumas obras em andares degradados o que, até agora, não aconteceu.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Ex.ª a Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte Pergunta, para que o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território possa prestar os seguintes esclarecimentos:

1 - Tem o Governo consciência que estes aumentos estão a criar grandes dificuldades a muitas famílias moradoras no Bairro Cor de Rosa?

2 - Está o Governo na disposição de alterar a legislação e criar critérios sociais mais justos no cálculo das rendas?

3 - Que processos de avaliação foram desenvolvidos para o aumento das rendas, para quem efectuou obras de beneficiação nas suas habitações?


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Setúbal: Autarquia investe 400 mil euros na requalificação urbana da zona da Fonte Nova



A Câmara de Setúbal vai iniciar este mês as obras de requalificação da zona da Fonte Nova, orçadas em cerca de 400 mil euros – anunciou quarta-feira a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira. “Vamos finalmente começar a fazer esta obra, que faz parte da candidatura ao QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) para a requalificação da zona ribeirinha e que vai requalificar o Largo da Fonte Nova, Largo da Palmeira, Travessa do Seixal e Rua Vasco da Gama”, disse a autarca setubalense. Maria das Dores Meira falava a cerca de uma centena de moradores na Fonte Nova na apresentação do projecto, que decorreu no salão do centro Paroquial Stella Maris, na freguesia da Anunciada. Em declarações à Lusa, a autarca salientou que, exceptuando os trabalhos de requalificação das escolas, é a primeira obra a arrancar no âmbito da candidatura ao QREN para a valorização e requalificação da zona ribeirinha, no montante global de 53 milhões de euros. Segundo Maria das Dores Meira, trata-se de uma intervenção que “abrange apenas a recuperação e instalação de mobiliário urbano, bem como a criação de zonas de estar e o levantamento do piso, para se mudarem canalizações e as infra-estruturas de saneamento básico”. O programa não contempla a requalificação de prédios degradados, mas a presidente da Câmara de Setúbal garantiu que a autarquia tem outras soluções para intervir neste domínio. “No Gabinete do Centro Histórico há um programa denominado ‘Há Cor na Baixa’, para facilitar requalificação de prédios degradados, que vamos tentar implementar junto dos proprietários dos imóveis”, disse. “Já fizemos algo nesse sentido, com a majoração do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), em relação a prédios muito degradados, e com uma bonificação para aqueles que foram recuperados”, acrescentou Maria das Dores Meira. A presidente da Câmara de Setúbal reconheceu, no entanto, que estas medidas não têm sido suficientes. “Vamos continuar a contactar os proprietários para que procedam á recuperação dos prédios degradados ou, pelo menos, das fachadas dos mesmos”, disse.


Fonte: Lusa